Governo minimiza crise da carne e rebate argumentos técnicos da PF



O ministro Blairo Maggi (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) criticou a PF por "erros técnicos" cometidos na Operação Carne Fraca, que levou o presidente Temer a convocar uma reunião de emergência no Palácio do Planalto neste domingo (19).

O ministro questionou o diretor da PF, Leandro Daiello, pela condução da investigação. Segundo Maggi, a polícia considerou que alguns frigoríficos adotaram práticas proibidas e, na verdade, elas são permitidas pela regulamentação do setor.

As declarações foram dadas depois do encontro que reuniu ministros, secretários, associações de produtores e exportadores e dos 33 embaixadores de países que mais importam carnes do Brasil.

O governo tentou minimizar o caso e rebater os argumentos técnicos da PF. Três pontos foram contestados: o uso de ácido considerado cancerígeno na mistura de alimentos, a utilização de papelão em lotes de frango e de carne de cabeça de porco -algo que a PF disse ser "sabidamente proibida".

"Está claro no áudio [das conversas dos investigados] que estão falando de embalagens, e não de misturar papelão na carne", disse o ministro. "Senão, é uma idiotice, uma insanidade, para dizer a verdade. As empresas brasileiras investiram alguns milhões de dólares, há mais de dez anos, para consolidar mercado, e aí você pega uma empresa que é exportadora e vai dizer que misturou papelão na carne? Pelo amor de Deus. Não dá para aceitar."

Maggi afirmou que "está escrito no regulamento" que a carne de cabeça de porco pode ser utilizada". Também afirmou que o ácido ascórbico, divulgado como cancerígeno, "é vitamina C e pode ser utilizado em processos".

Procurada, a PF não havia se pronunciado até a conclusão desta edição.

"A narrativa nos leva até a criar fantasias. Não estou dizendo que não tenha sentido a investigação. Quando estamos falando "fiquem tranquilos", é porque a gente conhece a maior parte do nosso sistema, 99% dos produtores de alimentos fazem as coisas certas", disse o ministro.

Para evitar "ruídos" desse tipo, a Agricultura criou uma força-tarefa que submeteu os 21 frigoríficos investigados a um "regime especial de fiscalização". Esse grupo também participará da condução do inquérito pela PF.

Temer anunciou a criação da força-tarefa para os embaixadores e apresentou números do setor na tentativa de acalmá-los. EUA e União Europeia já tinham pedido de explicações ao Ministério da Agricultura na sexta (17).

Em posse de um relatório preparado pelo Ministério da Agricultura no sábado (18), o presidente afirmou que o Brasil tem 4.837 frigoríficos sujeitas à fiscalização e só 21 estão sob investigação. "Isso é um mínimo sobre o tanto de plantas frigoríficas em nosso país," disse Temer.

Ainda segundo o presidente, das 853 mil partidas de exportações de carnes do Brasil no ano passado, somente 184 foram consideradas pelos importadores "fora de conformidade" -com problemas de rotulagem ou certificados, não de qualidade.

Temer considerou ainda que somente 33 funcionários estão sendo investigados por envolvimento no caso. "Não é o sistema de defesa agropecuária que está sendo investigado, mas alguns poucos desvios, de alguns poucos funcionários, de algumas poucas empresas", disse.

CHURRASCO

Temer terminou convidando os embaixadores para um churrasco em uma das casas mais frequentadas de Brasília (DF). Dezenove deles compareceram, além de oito representantes comerciais. Também foram o ministro da Secretaria de Governo, Moreira Franco, e o ministro da Agricultura, Blairo Maggi.

O governo só pagou a conta dos embaixadores (R$ 14 mil). Temer tomou caipirinha, comeu alcatra, fraldinha, linguiça, cordeiro e picanha. Em tom de brincadeira, perguntou a origem das carnes. Todas eram nacionais. 

Fonte: Folha de S. Paulo

 


    2017 © CRA/SP - Todos os direitos reservados. | Sede: Rua Estados Unidos, 889 - Jardim América | CEP: 01427-001 | São Paulo/SP | Tel. (+ 55 11) 3087-3200 / Fax (+55 11) 3087-3256