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Uma nova gestão para as smart cities

Para que uma cidade possa, de fato, se tornar inteligente, não basta apenas contar com as mais avançadas tecnologias que interligam tudo e todos. É preciso, sobretudo, que a gestão e a participação dos habitantes seja efetiva e compatível com as transformações 

De acordo com o IBGE, mais de 30% da população brasileira vivia em municípios com mais de 500 mil habitantes em 2019. Um número que evidencia a urgência no desenvolvimento de cidades inteligentes, capazes de gerenciar melhor os recursos públicos, criar serviços mais eficientes e, por consequência, proporcionar maior qualidade de vida aos seus moradores.

Mas será que as novas tecnologias, como a chegada da rede 5G (leia reportagem sobre o tema aqui), são as únicas responsáveis por revolucionar o modo como vivemos dentro dos grandes centros? Para o professor Arnaldo Ferreira Borges, coordenador do curso superior de tecnologia em Gestão Pública da FAAP, a formação e o engajamento dos atuais e futuros gestores são pilares fundamentais. “Quem atua no setor público tem que esquecer tudo o que aprendeu até agora e começar de novo, porque essa é uma reengenharia, baseada em quatro pilares: arquitetura, meio ambiente, tecnologia e inclusão social”, explica.

 Arnaldo Ferreira Borges

Para o professor, é importante, também, que o poder público esteja atento às exigências da atual sociedade que, cada vez mais, tem reivindicado melhores práticas no uso dos recursos e estado atenta a grande quantidade de informação.  

Diferenciais

“Para ser considerado inteligente, o município precisa desenvolver um ambiente onde governo, iniciativa privada e população possam criar e consumir soluções que facilitem o dia a dia de todos”, define Fabrício Zanini, diretor-presidente do Instituto das Cidades Inteligentes – ICI, instituição brasileira que trabalha na pesquisa e desenvolvimento de soluções para a gestão pública.

Na Coréia do Sul, a cidade de Songdo é um exemplo do que definiu Zanini. Projetada para ser totalmente funcional, ela possui um modelo integrado de coleta de lixo nas casas que, por meio de um sistema pressurizado, leva os resíduos diretamente para seus destinos, sem a necessidade da coleta tradicional, eliminando, assim, o trânsito de caminhões e a emissão de CO2 no meio ambiente. 

Aqui no Brasil, a busca pela inteligência nos centros urbanos ainda esbarra em diversos fatores básicos como, por exemplo, a questão orçamentária. A boa notícia, porém, é que há formas de se contornar esse problema. “Uma saída para viabilizar projetos de cidades inteligentes é a modelagem de contratos de Concessões e Parcerias Público Privadas (PPPs), sendo este o melhor caminho para atrair investimentos privados em tempos de austeridade orçamentária”, defende Diego Conti, professor de Programa de pós-graduação em Sustentabilidade da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. 

       Diego Conti

A maturidade nos processos implantados, sejam eles de negócio ou tecnológicos, também é outro fator que precisa ser melhorado, de acordo com Zanini. O diretor do ICI conta, no entanto, que no decorrer dos últimos anos várias cidades brasileiras estão preocupadas e unindo “esforços para entender os conceitos e as implementações necessárias”. 

Participação dos cidadãos

Para atuar nesse novo cenário, portanto, é preciso integração entre todos os atores da sociedade. “Os gestores públicos devem estar atentos às novas tendências e tecnologias que o mercado traz de tempos em tempos, além de buscar especialização na temática de cidades inteligentes”, explica Conti, mencionando, ainda, que eles devem ouvir vozes das ruas. “É necessário usar a tecnologia para criar canais e mecanismos de interpretação (big data) das necessidades dos moradores. Além disso, as cidades precisam criar sistemas de governança que facilitem e ativem a participação e a colaboração dos cidadãos, visto que isso é fundamental para a criação de planos de longo prazo e de soluções eficazes”, completa.

Essa premissa de ouvir os moradores da cidade é compartilhada, também, por Zanini. “Ele [cidadão] é a razão da existência do município. Os gestores devem considerar utilizar todo conhecimento e ferramentas disponíveis para transformar a cidade, mas nunca perder o foco, sua principal razão, que são os seus moradores.” 

 Fabrício Zanini

Tecnologias

É fato que os municípios que contam com essa gestão participativa e que possuem o entendimento das suas reais necessidades estarão mais preparados para a implantação de processos que, claro, precisam das novas tecnologias para serem colocados em prática. “Sistemas como o de monitoramento de câmeras inteligentes que contribuem com as políticas de segurança pública, ou as que possibilitarão o uso de carros autônomos, por exemplo, necessitam de uma infraestrutura de telecomunicação confiável e estável”, explica Conti. 

Por isso, a chegada da quinta geração de internet móvel (5G) é tão esperada por quem já trabalha no intuito de viabilizar a transformação das cidades. “Atualmente, temos a dificuldade de implantação de diversos projetos que necessitam de uma conectividade adequada para tráfego de imagens, por exemplo. A implementação dessa nova rede criará um ambiente promissor para todos nós. Podemos utilizar mecanismos de reconhecimento facial e placas para projetos de monitoramento e segurança em toda a cidade, por exemplo. Na área de telemedicina, poderemos realizar consultas por vídeo através de uma simples conexão entre paciente e médico. Assim, será possível não somente criar novos serviços, mas aprimorar os já existentes”, finaliza Zanini. 




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