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Evento apontou o crescimento de instituições que oferecem educação a distância no país, cujo segmento já ultrapassa a marca de 7 milhões de matrículas e com potencial de, em breve, superar os números da educação presencial.


O Conselho Regional de Administração de São Paulo – CRA-SP recebeu, em parceria com a Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED) e a Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração (ANGRAD), na última quarta-feira, 10 de abril, especialistas em Educação a Distância (EaD) e um grupo seleto de autoridades acadêmicas, para a realização do segundo episódio da série ADM Tendências. 

Focado na atuação das instituições de ensino frente ao evidente crescimento da EaD no Brasil, cujos números de matrículas ultrapassaram a marca dos 7 milhões em 2017 (incluindo alunos de cursos totalmente a distância, semipresenciais, livres e livres corporativos), o ADM Tendências aproximou o público presente da atual realidade vivenciada pelo segmento que, de acordo com a coordenadora do CensoEaD.br, da ABED, Betina Von Staa, é extremamente dinâmico e sensível às oscilações regulatórias e de mercado.

Ainda segundo a especialista, o censo EaD realizado com cerca de 351 instituições de ensino públicas, federais, estaduais, municipais, privadas, entre outras, mostrou que, após a flexibilização da regulamentação por meio da Portaria Normativa nº 11 (de 20 de junho de 2017), que facilitou a criação de polos, ao mesmo tempo em que permitiu a criação de instituições EaD sem a contrapartida presencial, o setor entrou em rápido desenvolvimento. Entre os fatores que contribuíram para esse cenário favorável estão: conveniência; interesse das organizações na educação corporativa para complementar a formação de colaboradores, as restrições ao Financiamento Estudantil (FIES), que dificultaram o acesso de alunos ao ensino presencial e o nível de qualidade dos cursos. “Muitas coisas aconteceram nos últimos 10 anos e, certamente, a modalidade a distância veio para ficar. Estamos só começando a entender como funciona esse mundo e o mercado tem tudo para crescer e continuar inovando”, disse.

Tendências na EaD

Para o professor da Universidade de São Paulo (USP), Romero Tori, a EaD está “virando o jogo” com a ajuda das novas gerações, que entendem suas vantagens e benefícios e afirmou: “Logo a educação presencial poderá encontrar dificuldades, caso não corra atrás de tudo o que a educação a distância já desenvolveu. Há muita coisa boa que pode e deve ser aproveitada pelo presencial.” 

O especialista chamou a atenção dos presentes para o que classificou como tendência na EaD: “a educação a distância pode deixar de existir”. Segundo Tori, a distância na educação está sendo eliminada com a ajuda da tecnologia e esse exemplo deve ser seguido pela educação presencial. “Enquanto a EaD desenvolve métodos para reduzir distâncias, o distanciamento entre aluno, professor e conteúdo é recorrente na educação presencial. É importante utilizar recursos tecnológicos como blended learning, mobile learning, vídeo learning, learning analytics, aprendizagem imersiva, gameficação, entre outros, para reunir o que há de melhor nas duas modalidades e melhorar a experiência e o aprendizado do aluno”, esclareceu.

Aliando teoria à prática

Alini Dal Magro, do Instituto Singularidades; Denise Elisabeth Himpel, do Grupo Ânima; Fellipe de Assis Zaremba, da Unicesumar; Carlos Fernando Araújo Junior, da Cruzeiro do Sul Educacional; Anne Santos, da Faculdade CETRUS e Simone Telles, da Univesp, brindaram os presentes com o compartilhamento de suas experiências no desenvolvimento e aplicação de serviços educacionais a distância, com ênfase ao modelo híbrido de ensino (online e presencial), em que o aluno é o protagonista do seu aprendizado.

Regulamentação da EaD        

Antonio Carbonari Netto, conselheiro da Câmara de Educação Superior, do Ministério da Educação, falou sobre o trabalho realizado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), durante todo o ano de 2018, para desregulamentar o ensino presencial e comemorou: “Chegamos ao mês de dezembro com a vigência da Portaria 1.428, que objetiva ampliar o percentual de EaD nos cursos presenciais entre 20 e 40%, em instituições de ensino com Conceito de Curso (CC) maior ou igual a quatro.”

Carbonari foi enfático ao afirmar que a função do professor está acabando, para dar lugar à função de tutor, que é um professor melhor preparado para absorver a questão da distância, por meio da tecnologia e atender o aluno online. E aproveitou para apontar a necessidade de abrir a legislação para “retreinar” professores, para que esses sejam capazes de trabalhar competências e não só conteúdo. “Conteúdo é saber. Competência é saber fazer. Formamos milhões de professores para ensinar conteúdo e agora eles precisam ensinar competências. Quem se preocupa com a formação do professor em grande escala é a EaD. Temos que inovar e não colocar amarras na educação. As instituições são todas maduras no Brasil, apesar de ainda haver o resquício do apagador, giz e lousa por aqui, que impõe provas presenciais e laboratórios. O mundo está mudando muito rápido e a legislação tem que acompanhar. Temos que abrir mais a legislação, para que as instituições ajudem o país a crescer. Vamos unir forças e mostrar que é possível trabalhar com qualidade!”, determinou.  

O presidente do Conselho Regional de Administração de São Paulo – CRA-SP, Roberto Carvalho Cardoso, fechou o segundo episódio do ADM Tendências com a constatação de que a evolução da EaD no Brasil é real e irreversível. “Apesar da grande resistência, até mesmo infundada para um país de dimensões continentais, a educação a distância e seu modelo ativo, que coloca o aluno como protagonista de sua formação, tem transformado o modelo de ensino no país e isso, com toda certeza, irá contribuir muito para a evolução nacional. Nosso objetivo, com esse evento, é trazer o assunto à luz e favorecer o pensamento, em busca do desenvolvimento do ensino a distância”, finalizou.